sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Giullia


Dê-me agora papel e caneta.


Guiei-me certa vez por um labirinto infindável. Muito lutei para regressar ao campo, e nada consegui. Mas um dia ela veio. E tirou-me do infernal caminho. O que era um pútrido e tortuoso labirinto se transformou em linda estepe florida.

Iluminava meus passos, deu-me a razão e a sabedoria que eu não tinha. Fez-me sentir infinitamente bem. Ela descobriu em mim o que de melhor havia. Dei-lhe a minha pureza.

Um mundo que eu não conhecia ela me revelou. Segredou-me a magia única do Universo. Com ela eu era o melhor sempre. E acompanhando-a em um lugar qualquer eu sempre estava em casa.

Lindo era o seu sorriso quando eu lhe dizia asneiras. Deu-me sempre o seu melhor. A sinceridade e a transparência a acompanhavam. Sempre. Em seus olhos havia o brilho especial típico dos apaixonados. Em meu júbilo, era o homem mais feliz.

Limitava-me a ouvir a doce canção de sua voz. E perdia-me vezes incontáveis em seus lábios. Mas não soubemos enfrentar as adversidades mundanas. Talvez os deuses assim quisessem.

Indicou-me que a estrada que nos levava para um lugar chamado Amanhã nos separaria. Longe, nós dois. Chorei lágrimas amargas, ela chorou comigo. O sangue rolava fervente pela minha face. E a tristeza-solidão veio em meu encalço mais uma vez.

Agradeço-lhe eternamente pelo que fez. Foi e é enormemente importante. Talvez de fato os deuses realmente não quisessem. Nossa liturgia e comunhão não existem mais. Eu agora a vejo na Lua e nos livros e músicas que me acompanham. Amo-lhe e jamais a esquecerei. Espero saber suportar e superar. Desejo-lhe sorte. A felicidade a acompanhará.

Por Jairo Santiago.


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