segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Podres Frutos Podres

Eu sou um estranho.
Uma criança anencefálica natimorta.
Estou sufocado pela minha própria merda.
Apanho os frutos podres que plantei.

Represento o resultado de um aborto sanguinário. Um estupro estupendo.
O filho do mal.
Estou depressivo; deve ser o maldito espírito natalino.
Não conteste meu desabafo.

Entenda que eu preciso de auxílio e me apoie.
"Me molde e me faça bem..."
Quem precisa de festas e aglomerações humanas afinal?
Eu quero realmente entender o porque dessa esquisitice toda comigo.

Meu estômago dói absurdamente.
Me bata, eu mereço.
Não mereço você e as sombras me dominam.
Venha almoçar comigo hoje; estou me sentindo sozinho.
Depois de dez horas de sono eu consigo ser ainda mais ranzinza.
Eu ainda tenho as palavras.

Por Jairo Santiago.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Uma coisa não tão legal assim...


Sobre a mesa. A cabeça entre os braços. Ele respira o ar viciado de seus braços.
Dor. Sente sono, mas talvez seja melhor o real, ao imaginário. Hesita em pegar um bloco.
O metal gélido penetra em sua pele, e o frio de trinta e oito ou nove é quase congelante. Dor.
Cabeça cheia e pesada. Sente-se fraco, e ouve músicas que ninguém gosta. Ela talvez goste, ou não. O bloco vence, e traz consigo caneta. Ainda dói, mas ele persiste.
Ele queima, o mundo o esfria. Deus talvez esteja longe, ou do lado. Dor, muita dor. Ele talvez vá para casa, mas espera. Ainda não. A leitura o envolve, e ele vive o sonho dos outros. Alguns vivem o dele.
É legal, interessante. Um odor pútrido deixa-o mais fora.
São dez horas, e ele vai embora. Talvez chegue em casa.

Por Jairo Santiago.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

il nostro cammino


Então tudo se resume a letras soltas, palavras jogadas agressivamente numa folha que conseguiu um dia ser branca.
É esta a contribuição para o mundo. Escritos, livros, mas principalmente os pensamentos.
E suas energias.
Tudo isso é diversão afinal.

Passo agora a ter uma delicada supervisão. Eu posso responder todas as suas dúvidas; quando não sei invento respostas.
Oi. Dia importante.
Talvez a pressão de publicar algo novo depois de tanto tempo. Entretanto, vagas ideias permanecem. Pesque, imagine.
Os mesmos olhares perdidos; frases curtas e imperfeitas. Frustração talvez, mas acho que nostalgia.

Seu apoio é necessário e eu me divirto com palavras e números.
Boas ideias curtas.
Sou como um soldado-herói de uma guerra perdida e sem importância. Eu quase chego lá.
Há sempre mensagens objetivas ocultas nas entrelinhas. E pedidos.

Façamos juntos outro ano. E outro, e outro.
Podemos ir até o fim nisso. Você e eu.
Promessas sempre feitas de fazer quatro de dois.
Eu amo você.

Por Jairo Santiago.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Un Altro Ritorno


Sem muita inspiração hoje. Na verdade nenhuma; entretanto não é necessário muita criatividade para fechar os olhos, meditar 10 segundos e ver de novo o que já cansamos de ver.
08/08/08. Dia sugestivo, não?
O que você fez hoje?, eu fiz a minha parte e um pouco mais. Eu acordei feliz e vi o Sol.

É estranho estar de volta. Frases curtas e ideias vagas. Estamos aqui novamente, você e eu. Um tempinho breve que se tornou bastante longo, mas eu voltei, com minhas lamurias.
Meio preocupado com as coisas. Fiz algumas mudanças. Cortei as banalidades, e acho que escolhi acertadamente o primeiro passo.
Continuo com os inseparáveis advérbios de modo.

Eu leio outras ideias e estou sempre inclinado às novidades, com alguma relutância. No fundo, a rotina é necessária e até legal. Acostumável.
Eu agora escrevo rápido; letra feia; pensamentos brotando de algum lugar oculto aqui dentro.

Meu namoro vai bem, obrigado. Na verdade vai otimamente bem, mas eu prezo a privacidade e, sem maldades, isso não é da sua conta.
Talvez eu corte isso, mas eu sou transparente demais quando quero.
Até logo...


Por Jairo Santiago.




quarta-feira, 9 de abril de 2008

... (02)


Me aguardem...

Eu sou quem fará vocês chorarem.

Por Jairo Santiago

sábado, 8 de março de 2008

Vedere Voi


Deixemos elas pensarem que mandam....

Em meio a orações mentirosas e puros animais perversos eu voltei.
A coisa linda/feia das nossas vidas. Meio legal por fora e podre por dentro.
Eu povoei seus pesadelos. Eu os sou.

Bom, chega de asneiras. Falemos sério agora. A nossa medíocre vida é bastante curta e ainda ontem eu me lembro que nasci. E daqui a pouco morreremos. Isso é meio pesado e delicado pra se dizer aqui, mas eu te dou a face. Sabe, uma porção de coisas que fazemos não parece ter sentido, na verdade não tem quando analisamos tudo de um modo sucinto.

Não podemos desperdiçar tempo. O amanhã é hoje não é mesmo?
Está confuso, eu sei. Preocupar-se demais é tolice, mas o que importa mesmo é a intensidade.
E nem por isso tudo é um picadeiro, e nem por isso vivemos de palhaçadas.

Veja você o quanto eu me esforço pra me fazer entender e não há espaço.
Eu não faço uso de rascunhos.
Eu de fato necessito de sua ajuda. Me molde, e me faça bem.
Me melhore, mas não me limpe a boca. Não me tire a identidade.
Apenas me aperfeiçoe.
Caralho, isso é difícil.

Vamos perceber o mundo de um modo melhor, uma maneira diferente.
Eu não vou repetir aqui o quanto eu te amo.
Leia de novo.

... porque no fim das contas são elas que mandam mesmo.


Por Jairo Santiago.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Nasty


Havia um rio de lágrimas. Sangue e dor. Um ar pestilento deixado por Deus. Um cheiro fétido, pútrido, almas mefíticas.

Mas você veio, e ofuscou o Sol. A beijei e vi que era bom. Junto de ti o tempo excede a velocidade da luz. Eu deixo meus passos me guiarem embora meus pecados me arrastem.

E com você eu apenas observo o mundo mudar ao nosso redor. São jovens padres em velhas igrejas. Novas sequóias nascem, entretanto continuarão sempre sequóias. O ciclo se fecha e reinicia. E sem você a sinopse da vida é bem clara: Você nasce, ela é uma merda, você morrre.

E eu adoro ficar em você, ser suas doces lembranças. Sua nostalgia. E contigo fico meio narcisista até. Você me faz bem. Sempre.

Por Jairo Santiago.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Nota de Esclarecimento


À vocês, filhos da puta.

In nomine patris, et filii, et spiritus sancti, amen.
Me benzo agora. Não se assuste com as merdas que virão. Elas deixarão os vermes se deliciando em seu coração podre.
E como um jovem simplório puto que se rebela com as constantes injustiças da sociedade, eu venho revelar-lhe a verdade.

Uso este espaço para sanar algumas dúvidas que surgiram em relação à "Ovacionados".
Todas as palavras são de minha autoria. Não há plágio ou cópia. É lógico que elas foram inspiradas no britânico Bernard, mas são minhas e repito, não há cópia.

Achei interessante abordar o tema das guerras, e a forma como escrevi "Ovacionados" faz com que eu me sinta feliz. Escrevi, e vi que era bom.
Aos hipócritas ignorantes, o meu pesar.
Volto a sugerir: leiam Bernard Cornwell. E se entreguem.
Sei da sua compreensão. Obrigado.

Por Jairo Santiago.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Ovacionados

Aos vencedores os espólios.
Aos derrotados; morte, estupros e saques.

Cenário de uma das batalhas da Guerra dos Cem Anos. 1346.
O campo de batalha está em silêncio. Há no cume do pequeno monte um exército de galeses, ingleses e normandos. Os franceses e bretões chegam. As mortes começarão. Soldados rezam e padres abençoam. Deus está do lado vencedor sempre. Os primeiros avançam.

Os garanhões franceses se aproximam. São corcéis magníficos e cavaleiros majestosos. Armaduras belíssimas, elmos brilhantes e lanças na mão. As espadas estão embainhadas.
O massacre se inicia.
Mas os cavalos geradores de viúvas não podem suportar as flechas. Os arqueiros ingleses, em sua fúria, lançam a terceira flecha do arco enquanto a primeira acerta o alvo.

Os tambores gritam desesperados. Suas batidas ecoam no vale como o descompassado coração do diabo.
Os guerreiros se alcançam. E se matam.
As fileiras compactadas de escudos, couro, suor e aço. O inimigo vem louco. E morre. Nós morremos. A alegria de matar nos acompanha. Os rivais estão tão perto que sentem o hálito podre do inimigo. O sangue começa a jorrar.
Os grandes corcéis levantam grama ao galopar para o outro mundo. Têm seus jarretes cortados e as espadas furam suas ancas. Ainda chove flechas com penas de ganso inglês.

O pequeno vale fede com o cheiro negro do inferno. Há sangue no chão. A vegetação rasteira fica escarlate. Tudo fede a suor, sangue, couro, bosta e morte. Soldados traidores são enforcados e na dança da corda o mijo desce e a língua sai. Assim como os olhos projetados.

Esse é o triste cenário da guerra.
Quaisquer erros que restem são totalmente meus.
Leia Bernard Cornwell.


Por Jairo Santiago.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Balancete do Caralho


Mais um ano que se foi. E outro que começa. Voltemos ao velho ciclo natural das coisas mundanas. Já está um pouco tarde pra se dizer isso, mas tudo bem.

Um ano de quartel. De amizades e de companhias desejáveis.
Aos companheiros de caserna, obrigado.
Principalmente e quase que exclusivamente aos dois carinhas que moram no meu peito.
São 14 horas, com 57 filhos da puta.
Vocês sabem que são vocês.

Diante de uma nova perspectiva das coisas, um recomeço.
E uma paixão. Os encaixes nos perseguem. Nos completamos e nos entendemos. O amor é recíproco. Eu a tenho e a desejo. Juntos, somos um. A fusão de corpos ardentes.
Giullia, eu amo você.
Quero ter-te comigo durante os dias que se seguem. Durante a eternidade.

Sabem, as coisas mudam um pouquinho. Nossas culturas são influenciadas, e mudamos também.
Sou hoje um carinha melhor que ontem, e ainda crú para amanhã.
Não me entenda. Me aceite.
E é no silêncio que o grito vem. É nas sombras que eu vejo você.

Por Jairo Santiago.