Aos derrotados; morte, estupros e saques.
Cenário de uma das batalhas da Guerra dos Cem Anos. 1346.
O campo de batalha está em silêncio. Há no cume do pequeno monte um exército de galeses, ingleses e normandos. Os franceses e bretões chegam. As mortes começarão. Soldados rezam e padres abençoam. Deus está do lado vencedor sempre. Os primeiros avançam.
Os garanhões franceses se aproximam. São corcéis magníficos e cavaleiros majestosos. Armaduras belíssimas, elmos brilhantes e lanças na mão. As espadas estão embainhadas.
O massacre se inicia.
Mas os cavalos geradores de viúvas não podem suportar as flechas. Os arqueiros ingleses, em sua fúria, lançam a terceira flecha do arco enquanto a primeira acerta o alvo.
Os tambores gritam desesperados. Suas batidas ecoam no vale como o descompassado coração do diabo.
Os guerreiros se alcançam. E se matam.
As fileiras compactadas de escudos, couro, suor e aço. O inimigo vem louco. E morre. Nós morremos. A alegria de matar nos acompanha. Os rivais estão tão perto que sentem o hálito podre do inimigo. O sangue começa a jorrar.
Os grandes corcéis levantam grama ao galopar para o outro mundo. Têm seus jarretes cortados e as espadas furam suas ancas. Ainda chove flechas com penas de ganso inglês.
O pequeno vale fede com o cheiro negro do inferno. Há sangue no chão. A vegetação rasteira fica escarlate. Tudo fede a suor, sangue, couro, bosta e morte. Soldados traidores são enforcados e na dança da corda o mijo desce e a língua sai. Assim como os olhos projetados.
Esse é o triste cenário da guerra.
Quaisquer erros que restem são totalmente meus.
Leia Bernard Cornwell.
Por Jairo Santiago.
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