segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Podres Frutos Podres

Eu sou um estranho.
Uma criança anencefálica natimorta.
Estou sufocado pela minha própria merda.
Apanho os frutos podres que plantei.

Represento o resultado de um aborto sanguinário. Um estupro estupendo.
O filho do mal.
Estou depressivo; deve ser o maldito espírito natalino.
Não conteste meu desabafo.

Entenda que eu preciso de auxílio e me apoie.
"Me molde e me faça bem..."
Quem precisa de festas e aglomerações humanas afinal?
Eu quero realmente entender o porque dessa esquisitice toda comigo.

Meu estômago dói absurdamente.
Me bata, eu mereço.
Não mereço você e as sombras me dominam.
Venha almoçar comigo hoje; estou me sentindo sozinho.
Depois de dez horas de sono eu consigo ser ainda mais ranzinza.
Eu ainda tenho as palavras.

Por Jairo Santiago.

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