sexta-feira, 20 de março de 2009

03:26 - madrugada a dentro

Acabo de sair do chuveiro. Banho quente. São três e vinte e seis da manhã. Não é fácil dormir quando se é uma criatura noctívaga e insone. Vou por meu cérebro para funcionar só um pouco; depois acho que vou dormir.

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É tarde, e você volta para casa à pé e sozinho.
Não há carros na rua, nem pessoas.
Há uma chuva fria no céu, e seu cabelo molhado lhe cai pelo rosto.

O céu lhe parece vermelho, nuvens baixas.
Você precisa chegar logo em casa.
Pensa em tomar uma ducha quente, e um chá sob as cobertas.
É muito tarde agora, e você resolve atalhar pelo antigo cemitério.
Existem árvores muito velhas ali; sete ou oito, mas você não presta atenção.
Tem arrepios de medo.

Você então se arrepende, mas já quase venceu o velho cemitério e não compensa mais voltar.
Sente no ar um odor bestial, pútrido.
Você não sabe, mas é o cheiro da sua morte.

Relâmpagos azuis faiscam o céu.
Com um brilho súbito você vê um demônio.
Sente seu cheiro, olha em seus olhos escarlates de desejo.
O diabo não tem chifres, nem é um demônio como você pensou.
O pavor te paralisa.

A figura na sua frente é humana e bonita.
Cabelos que caem pelos ombros, quase lisos e de cor azeviche.
Os olhos são vermelhos e a face pálida.
Ele sorri.
Caninos longos e pontiagudos.
Caninos muito longos.

Inesperadamente ele pula até você, tem sua cabeça entre as mãos dele.
Seu estupor é tamanho que você nem pisca.
Ele vem para te beijar o pescoço.
Não é um beijo. Dói.
Você não quer ser um deles.
Dói muito.

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Dói tanto que você acorda.
Está com frio, cobertas no chão do quarto.
São agora quatro e oito. De fato.
Bom resto de noite para você também.

Por Jairo Santiago.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Desabafo mamãe e papai


"Odeio mamãe, odeio papai. Papai odeia mamãe, mamãe odeia papai. Isto apenas faz você querer ficar muito triste."
Kurt D Cobain. Junho, 1976.




Quando a angústia triste, a rispidez, o ódio e a arrogante loucura subitamente invadirem minhas tripas cerebrais, eu irei até você. Talvez você esteja com sua saia branca hippie, e certamente ela vai subir.
O tédio eventualmente me corrompe as entranhas.
O ócio faz minha cabeça dar voltas.
Viver em sociedade: arte natural e complicada quando você é um velho rabugento desprezível.

Talvez eu esteja cavando minha sepultura.
Talvez eu esteja fugindo do assunto.

Dias atrás eu ouvi exatamente o que eu precisava ouvir. Eu estava necessitando daquelas palavras. Obrigado, Rafael.

Por Jairo Santiago.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Treze de Março. Sexta-Feira Treze.

Quem sou eu: Eu sou eu, PORRA!

Mas a pergunta talvez deva ser: Quem é ela?
Lhe direi.

Ela é simplesmente a pessoa que me completa.
Ela me faz rir e chorar quase ao mesmo tempo.
Ela faz meus olhos brilharem.
Ela tira sempre o melhor de mim. O melhor dos meus dias.
Ela me traz a luz da Lua.
Ela preenche os meus vazios.
Ela me traz a felicidade completa.
Ela cabe em mim.
Ela é o meu livro.
Ela é lida por mim.
Ela é o meu amor.
Eu a amo, e é recíproco.
Ela é a minha melhor amiga, minha companheira.
Somos cúmplices.
Ela é a minha parceria forte.
Ela me encoraja, e me apoia.
Ela me devora por dentro.
Ela é o meu desejo carnal.
Nela eu me encontro....

Eu digo isso todos os dias porque acho necessário.
Giullia, eu amo você!


Por Jairo Santiago.

Angels Fall First

À você, Giullia Cintra, que faz meu peito se acelerar.


Caminhava por entre galhos de pinheiros.
Vestia uma túnica clara comprida.
Descalço, andava sobre o orvalho da relva.
A floresta tinha um cheiro úmido.

Percebi passos, mas chegou voando com suas enormes asas abertas.
Plumas brancas e suaves.
O anjo me veio com seu rosto mascarado, e de seus olhos amarelos ouvi doces acordes de uma lira.

"De todos os anjos caídos, somos os primeiros...", ele me disse.

Então senti o perfume dela, e a quimera se manteve.
Voamos , os três, ao pico de uma colina.
Sob a luz da aurora fomos casados por ele, selando uma aliança de vidas seguintes.

Dançamos e sorrimos.
Seu cabelo negro tinha o cheiro da felicidade.
Suas vestes brancas eram tocadas pela brisa refrescante.

O brilho dos seus olhos, e o seu sorriso meigo me confirmavam que eu a amaria sempre, e viveríamos eternamente em puro contentamento.


Por Jairo Santiago.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Momentânea Loucura

Talvez se arrancássemos todas as cascas das nossas feridas, toda a dor e todo o sangue poderiam fazer-nos felizes.
Sorriríamos ao som de um disparo, e dançaríamos a morte sob a luz pálida da Lua.
Teríamos filhos natimortos e comeríamos seus olhos.
Talvez se semeássemos o ódio, poderíamos festejar as desgraças e nos deliciarmos com a carne.

Talvez se arrancássemos da vida todos os nossos problemas, todas as dúvidas e mentiras livres nos fariam felizes.
Sorriríamos ao som de um sorriso, e dançaríamos a vida sob a chuva fria.
Teríamos filhos lindos, e ensinaríamos as doçuras do Sol.
Talvez se semeássemos o amor, festejaríamos o brilho dos seus olhos, e nos deliciaríamos com o seu inebriante perfume...


Jairo Santiago.