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É tarde, e você volta para casa à pé e sozinho.
Não há carros na rua, nem pessoas.
Há uma chuva fria no céu, e seu cabelo molhado lhe cai pelo rosto.
O céu lhe parece vermelho, nuvens baixas.
Você precisa chegar logo em casa.
Pensa em tomar uma ducha quente, e um chá sob as cobertas.
É muito tarde agora, e você resolve atalhar pelo antigo cemitério.
Existem árvores muito velhas ali; sete ou oito, mas você não presta atenção.
Tem arrepios de medo.
Você então se arrepende, mas já quase venceu o velho cemitério e não compensa mais voltar.
Sente no ar um odor bestial, pútrido.
Você não sabe, mas é o cheiro da sua morte.
Relâmpagos azuis faiscam o céu.
Com um brilho súbito você vê um demônio.
Sente seu cheiro, olha em seus olhos escarlates de desejo.
O diabo não tem chifres, nem é um demônio como você pensou.
O pavor te paralisa.
A figura na sua frente é humana e bonita.
Cabelos que caem pelos ombros, quase lisos e de cor azeviche.
Os olhos são vermelhos e a face pálida.
Ele sorri.
Caninos longos e pontiagudos.
Caninos muito longos.
Inesperadamente ele pula até você, tem sua cabeça entre as mãos dele.
Seu estupor é tamanho que você nem pisca.
Ele vem para te beijar o pescoço.
Não é um beijo. Dói.
Você não quer ser um deles.
Dói muito.
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Dói tanto que você acorda.
Está com frio, cobertas no chão do quarto.
São agora quatro e oito. De fato.
Bom resto de noite para você também.
Por Jairo Santiago.
adorei
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