segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Encontro


A Paixão é grosseira, invasiva, não pede licença, não se anuncia e toma para si o controle dos demais sentimentos. Não é má, mas magnífica, e independe de sexo ou cor ou crenças.

Vestiu -se de preto a Paixão, acompanhou-o sorrateiramente. Esteve sempre à espera, e no momento mais oportuno o laçou e o deixou de quatro. Camisas brancas e óculos escuros ajudaram-na; cuecas coloridas à mostra também. Mas muito mais que isso, e mesmo quando um travou, a Paixão se manifestou no outro. E o encoraja. E o empurra.
Ela e ele se olharam. tocaram-se. O calor que os queimava a pele emanava dela, da Paixão. Ela os colocou loucos, e em meio a milhares de espectadores mortos os incendiou e os derreteu e os fundiu.
A Paixão do momento se foi. Entretanto ficou a Paixão da saudade, da distância e do querer de novo. Encontraram-se em meio aos passos desencontrados do outro. A Paixão conduziu tudo.
Ela disse que ele fez dum pequeno instante um grande momento, e suficiente o bastante para tornar-se inesquecível. Ela ouviu que tinha peitos e bunda perfeitos, simétricos; e a Paixão ouviu também, já que esteve lá o tempo todo.
Amor é pacificamente puro. Mas a Paixão, infernal. Quente, louca, e perigosa.
Ele está enamorado, ela também.
A Paixão gargalha. Eles choram.

À você, P.


Por Jairo Santiago.

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