sábado, 23 de fevereiro de 2008

Nasty


Havia um rio de lágrimas. Sangue e dor. Um ar pestilento deixado por Deus. Um cheiro fétido, pútrido, almas mefíticas.

Mas você veio, e ofuscou o Sol. A beijei e vi que era bom. Junto de ti o tempo excede a velocidade da luz. Eu deixo meus passos me guiarem embora meus pecados me arrastem.

E com você eu apenas observo o mundo mudar ao nosso redor. São jovens padres em velhas igrejas. Novas sequóias nascem, entretanto continuarão sempre sequóias. O ciclo se fecha e reinicia. E sem você a sinopse da vida é bem clara: Você nasce, ela é uma merda, você morrre.

E eu adoro ficar em você, ser suas doces lembranças. Sua nostalgia. E contigo fico meio narcisista até. Você me faz bem. Sempre.

Por Jairo Santiago.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Nota de Esclarecimento


À vocês, filhos da puta.

In nomine patris, et filii, et spiritus sancti, amen.
Me benzo agora. Não se assuste com as merdas que virão. Elas deixarão os vermes se deliciando em seu coração podre.
E como um jovem simplório puto que se rebela com as constantes injustiças da sociedade, eu venho revelar-lhe a verdade.

Uso este espaço para sanar algumas dúvidas que surgiram em relação à "Ovacionados".
Todas as palavras são de minha autoria. Não há plágio ou cópia. É lógico que elas foram inspiradas no britânico Bernard, mas são minhas e repito, não há cópia.

Achei interessante abordar o tema das guerras, e a forma como escrevi "Ovacionados" faz com que eu me sinta feliz. Escrevi, e vi que era bom.
Aos hipócritas ignorantes, o meu pesar.
Volto a sugerir: leiam Bernard Cornwell. E se entreguem.
Sei da sua compreensão. Obrigado.

Por Jairo Santiago.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Ovacionados

Aos vencedores os espólios.
Aos derrotados; morte, estupros e saques.

Cenário de uma das batalhas da Guerra dos Cem Anos. 1346.
O campo de batalha está em silêncio. Há no cume do pequeno monte um exército de galeses, ingleses e normandos. Os franceses e bretões chegam. As mortes começarão. Soldados rezam e padres abençoam. Deus está do lado vencedor sempre. Os primeiros avançam.

Os garanhões franceses se aproximam. São corcéis magníficos e cavaleiros majestosos. Armaduras belíssimas, elmos brilhantes e lanças na mão. As espadas estão embainhadas.
O massacre se inicia.
Mas os cavalos geradores de viúvas não podem suportar as flechas. Os arqueiros ingleses, em sua fúria, lançam a terceira flecha do arco enquanto a primeira acerta o alvo.

Os tambores gritam desesperados. Suas batidas ecoam no vale como o descompassado coração do diabo.
Os guerreiros se alcançam. E se matam.
As fileiras compactadas de escudos, couro, suor e aço. O inimigo vem louco. E morre. Nós morremos. A alegria de matar nos acompanha. Os rivais estão tão perto que sentem o hálito podre do inimigo. O sangue começa a jorrar.
Os grandes corcéis levantam grama ao galopar para o outro mundo. Têm seus jarretes cortados e as espadas furam suas ancas. Ainda chove flechas com penas de ganso inglês.

O pequeno vale fede com o cheiro negro do inferno. Há sangue no chão. A vegetação rasteira fica escarlate. Tudo fede a suor, sangue, couro, bosta e morte. Soldados traidores são enforcados e na dança da corda o mijo desce e a língua sai. Assim como os olhos projetados.

Esse é o triste cenário da guerra.
Quaisquer erros que restem são totalmente meus.
Leia Bernard Cornwell.


Por Jairo Santiago.